"Montada", sim – mas inteira

Toda manhã, é a mesma coisa: salto lá em cima, um verdadeiro kit de sobrevivência dentro da bolsa pesadíssima, mais base, pó, rímel, batom (só para começar) para sair de casa com aquela pele de pêssego. Toda noite, a história é outra: os pés latejam, as costas doem, o rosto reclama de ter passado um dia inteiro recoberto pela maquiagem. Quem trabalha em um ambiente com o mínimo de formalidade sabe que nem adianta pensar em aparecer no escritório à vontade, sem essa armadura. Mas é, sim, perfeitamente possível compensar os malefícios que ela causa.




Fotos Safia Fatimi/Getty Images




Fotos Pedro Rubens
Era uma vez um ancestral comum aos homens e aos macacos que deixou de usar as mãos para se locomover e passou a se apoiar somente nos dois pés ao caminhar. Embora remeta à célebre teoria evolutiva cunhada no século XIX por Charles Darwin, essa é também a infame história da dor nas costas: o peso do corpo era muito mais bem distribuído naquele longínquo tempo em que a humanidade andava de quatro, e o eterno martírio na coluna é uma das conseqüências de termos nos tornado bípedes. "Oito em cada dez pessoas têm ou vão ter dor nas costas", calcula o reumatologista Jamil Natour, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Fotos Pedro Rubens
Naquela época em que o jeito ereto de andar havia se tornado um imperativo evolutivo, os sapatos de salto alto e as bolsas grandes eram necessidades que estavam longe de entrar em voga. Hoje, esses acessórios são quase indispensáveis em certas situações – e, se usados cotidianamente, potencializam as dores na região lombar e, é claro, nos pés. "Quando se usa esse tipo de calçado, a carga de todo o corpo é transmitida diretamente para a espinha, as pernas e os dedos", explica o ortopedista Mark Winemiller, da Clínica Mayo, um dos maiores centros de pesquisa médica dos Estados Unidos. O saldo pode causar desde um simples (e dolorido) joanete até uma artrite.

Mas como viver sem o salto alto no dia-a-dia? "A verdade é que a mulher deve ser uma evolução natural da centopéia. Só isso explica nossa paixão por sapatos", brinca a fisioterapeuta Elizabeth Alves Ferreira, da Universidade de São Paulo (USP). Se mudar de estilo é impossível, confira nestas páginas algumas estratégias para amenizar o incômodo e compensar os danos à saúde.





Fotos Pedro Rubens


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